Desta vez trago-vos um tema diferente. É sobre
o artista gráfico holandês M. C. Escher.
Escher conseguiu aplicar a Matemática, mais precisamente
a Geometria, aos seus trabalhos. As suas obras são conhecidas pelo irreal,
ilusão espacial e repetição de figuras geométricas.
Embora tenha sido péssimo aluno a Matemática e a Artes, Escher
consegue cativar reputados matemáticos e cristalógrafos. Ele próprio
afirmou que, por vezes, se sentia mais perto do domínio da Matemática
que os seus colegas matemáticos! Observando cuidadosamente as suas gravuras,
apercebemo-nos das estruturas complexas, criadas geometricamente, que requerem
várias observações até se compreender a gravura
— se a conseguirem compreender...!!
Escher baseou-se em figuras geométricas de azulejos
mouros e na Cristalografia para criar os seus trabalhos. Mas foi mais longe!
Pegou nos seus simples desenhos e repetiu-os em série no plano, aplicando
múltiplas deslocações e deformações geométricas
do desenho base. Estas séries repetem-se até ao infinito, unicamente
limitadas pelos limites do papel!

De facto, Escher começou por construir as suas ideias com figuras geométricas. No entanto, o truque engenhoso foi substituir as figuras por pássaros, peixes, lagartos... sem criar espaços perdidos! Mas nunca abandonou os ideais geométricos da translação, simetria, rotação e inclinação. De um modo geral, Escher substituiu as aborrecidas figuras geométricas por outras mais belas e atraentes, criando um maior sentido do uso da Geometria.
Vida e Obra
Se, depois desta pequena introdução, ainda estiveres
interessado... poderás saber bastante mais da sua vida em
World of Escher.
Esta deve ser a primeira página a
ser acedida, pois tem a maior concentração de
informação sobre Escher. Além de uma Biblioteca
(Library), inclui ainda
uma loja de Souvernirs, um Concurso (experimentem), e uma Galeria de
Arte. Nesta, clica sobre o ficheiro para ter uma análise e
melhor reprodução.
Se quiseres uma maior colecção de obras, dirige-te à
pagina de Jim Campbell. Em qualquer caso que encontres,
não te esqueças
de clicar sobre as obras, para teres uma imagem maior. Se achares que
não é suficiente, ou a algum pecar pela lentidão
de acesso, experimenta (aconselhável) um site de FTP: o
SUNET.
A Matemática
Perante tanta Arte, falta-nos ainda a nossa querida
base científica: a Matemática. A informação sobre
este tópico é quase inexistente. Mas, com muito esforço,
consegui! Nesta
Turma de Matemática [link morreu] encontras análises de várias
obras, com mini-exposições da técnica usada. Observa bem
as páginas introdutórias, onde se mostram estudos gerais de aplicações
simples. Aprenderás mais aqui, do que nas análises singulares.
Repara nas pequenas alterações feitas; nas interpenetrações
de figuras contíguas, alterando-lhes a cor; na inclinação
das figuras. Aconselho vivamente a visita a esta página, pois é
muito atraente e cativante. Este factor é condicionante para entender
a complexidade da Geometria de Escher.
Uma outra página, mais complexa, é a de William Chow [link morto]. Aqui tenta-se explicar esta teoria de grafismos, para a aplicarmos a programas de computador. Infelizmente, a inexistência de imagens dificulta muito a sua compreensão. Por isso, é prioritário visitares a primeira página, e, só depois, esta.
Um Desafio...
Em todas as páginas, os infonautas são
desafiados a criarem um gráfico à la Escher!!
Toma como exemplos os de
Jim McNeill. Aqui tem informação bem interessante. Explora bem!
Mas se, ainda assim, existir dificuldade em perceber
toda esta Geometria
de Escher, faz como eu: tenta criar as tuas próprias figuras.
Será difícil, a princípio, mas muito cativante. Este
é o verdadeiro encanto desta arte.
Para te facilitar, dar-te-ei algumas dicas.
Toma o meu molde como exemplo.

Comecei com uma figura muito simples que me parecesse fácil de encadear (um peixe), e, só mais tarde, criei variações; eis o resultado. É importante que esta simples figura tenha uma simetria, mesmo que só aproximadamente, como a minha. Facilitará bastante o desenho do molde, se o inserires num rectângulo. (Se quiseres estar em vantagem relativamente a Escher, trabalha num computador.) Desenha só uma das metades da figura, criando uma segunda simetria implícita, e tenta criar novos moldes baseados no primeiro! Ao repetires o molde na tua obra, aplicando-lhe transformações geométricas, irás reparar que metade da vizinhança exterior é um cópia da metade interior do molde; parece óbvio (repara no meu molde final e na respectiva "obra"!), mas se observares os trabalhos dele, este segredo não é tão evidente. Logo, as várias silhuetas formam conjuntos sem quaisquer espaços perdidos; este ponto fulcral confunde o nosso pensamento, e é aqui que Escher demonstra a sua genialidade!