Já alguma vez pensaste no perigo iminente de poderem cair objectos espaciais sobre as nossas cabeças, a qualquer momento? Provavelmente já viste filmes, como Deep Impact (Impacto Total), sobre situações parecidas.
Um desses perigos são os asteróides da classe Apolo, que têm o periélio (ponto mais próximo do Sol) no interior da órbita terrestre, cruzando a nossa órbita, obrigatoriamente, duas vezes por cada ciclo que cumprem. Por isso, são dos objectos espaciais que mais nos preocupam, inclusivé por se pensar que eles terão tido o maior contributo na criação de crateras nos planetas interiores e luas do sistema solar. Claro que, quando um Apolo cruza a nossa órbita, não há necessariamente impacto, pois a Terra estará, geralmente, num ponto mais afastado. Porém, a probabilidade de colisão não é nula, muito pelo contrário: há estimativas que prevêm uma colisão por cada 100 anos!! Houve já um impacto recente, do qual há relato: em Tunguska, Sibéria, em 1908. Em www.unibg.it/dmsi a/d ynamics/apollo.html, Capítulo 3 (Collisions of Apollos with the Earth), 1º parágrafo, ficarás com uma boa ideia da destruição que uma rocha de apenas 2 75 metros de diâmetro é capaz de criar.
Se quiseres saber informações mais
específicas sobre asteróides, dirige-te a ISPEC
ou a Calvin J. Hamilton.
Na primeira, terás uma introdução rápida - mas abrangente
- onde encontrarás exemplos de colisões com a Terra. A segunda é uma das melhores
páginas de astronomia, parcialmente traduzida para português!! Vale bem a pena
explorá-la!
Outra página a visitar é a de
Scott Hudson,
um perito nesta matéria. Tem desenhos, animações e muita
informação. Infelizmente está um pouco confusa,
mas vale a pena explorá-la! Explica, também, todos os passos de detecção de
asteróides... e podemos até passear virtualmente em cima deles
(Virtual Astronaut). Experimenta!
Só recentemente se começou a compreender que os
objectos espaciais que, em termos astronómicos, passam a pequenas distâncias da
Terra (também chamados NEOs - Near Earth Objects), aumentam
significativamente o risco de vida. Criaram-se, então, programas para patrulhar o
espaço sobre as nossas cabeças e para criar de
fesas terrestres contra potenciais quedas de objectos espaciais.
Um exemplo é o programa NEAR
(Near Earth Asteroid Rendez-vous) em que se faz a detecção e o acompanhamento de Apolos, envolvendo
sondas espaciais destinadas a estudá-los de perto. A primeira, lançada a Fevereiro de
1996, ir-se-á encontrar com o asteróide 433 Eros em Janeiro de 1999, e orbita-lo-á
durante um ano.

O asteróide nº 4179 é um destes Apolos. Descoberto em 1989 por 2 cientistas franceses, estes deram-lhe o nome Toutatis - sim, da BD de Astérix! Como sabes, estes heróis exclamam frequentemente "Por Toutatis!" e só têm medo que o céu lhes caia em cima das cabeças. Como este asteróide também o poderá fazer num futuro remoto, acharam humorístico pôr-lhe este nome).

Por ter o pior comportamento possível, - condicionado pela sua forma irregular - Toutatis é o asteróide da classe Apolo melhor estudado. Os astrónomos chamam-lhe contacto binário, por ser, provavelmente, resultante de uma colisão plástica entre dois asteróides de dimensões diferentes. Como consequência, Toutatis não roda em torno de um único eixo, movimentando-se aos trambolhões, e variando o seu ciclo diário entre 5,4 e 7,3 dias terrestres. Para teres uma melhor ideia da sua rotação, imagina que a Terra rodava da mesma maneira. Sempre que olhasses para o céu, nunca verias o mesmo padrão estelar!!
A última vez que Toutatis nos "visitou", foi em Novembro de 1996, a uma distância de 0,0354 UA [1](8 vezes menor do que a distância ao nosso planeta mais próximo, Vénus). Como a sua órbita excêntrica tem um período de 4 anos, a sua próxima visita será no ano 2000. Mas a passagem mais importante será em 2004, à distância de 0,01 UA, a cerca de 4 vezes a distância da Terra à Lua! Será a menor distância de qualquer asteróide dos próximos 60 anos. (Ao fundo desta página encontras links com mais datas.) Como as suas dimensões são 2 km por 4,8 km, estará muito longe para o veres a olho nú. Embora seja de pequena dimensão, seria suficiente para causar uma catástrofe na Terra, podendo afectar gravemente o clima, se colidisse conosco.
Actualmente crê-se que tenha sido um impacto de um meteorito que desencadeou a extinção dos dinossauros. Estima-se que este meteorito tenha tido um volume somente 6 vezes superior ao de Toutatis!!! Dá que pensar, não dá?!?